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Mais do que comprar as lojas, a decisão do Grupo Carrefour de adquirir 30 pontos de venda do atacadista Makro é interpretada por consultores especializados em varejo como uma corrida para “comprar” mercado. Antes de fechar esse negócio, o grupo francês já liderava o atacarejo, formato que mistura atacado com varejo, no Brasil com 187 lojas do Atacadão. Agora, esse número vai para 217.

Parte das novas unidades está em regiões em que a companhia não tinha forte presença, como o Estado do Rio de Janeiro, onde terá sete novas lojas, e a região Nordeste, com oito pontos de venda.

Para Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral e fundador do Grupo GS& Gouvêa de Souza, nos últimos anos o Carrefour abriu distância em relação aos concorrentes, aproveitando as fragilidades dos rivais. “O Carrefour está comprando a aceleração da expansão”, diz o consultor.

Gouvêa lembra também o fato de o Brasil ser um dos mais importantes mercados globais para a companhia francesa. Em mercados maduros, ela enfrenta dificuldades e, em emergentes como a China, a empresa fechou a operação. “Por isso, a importância estratégica do Brasil para o Carrefour cresceu enormemente.”

O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), Claudio Felisoni de Angelo, também avalia que o negócio é uma “compra” de mercado. “Com os preços estáveis na economia e as margens de comercialização apertadas, o que está acontecendo neste momento é que os varejistas, para ampliar as vendas e o lucro, precisam ocupar os espaços físicos onde não estão presentes ou têm pouca atuação”, afirma. Apesar de não ter disponível um ranking dos atacarejos, Felisoni ressalta que o Carrefour está crescendo rapidamente e consolidando ainda mais a liderança nesse segmento.

Gouvêa de Souza destaca que o conceito de atacarejo no Brasil é o mais vencedor entre outros formatos, especialmente no varejo alimentar. “Tudo indica que essa tendência deve continuar nos próximos anos, tanto entre consumidores pessoas físicas como transformadores, que são pequenos empreendedores”.

O consultor explica que, com a lenta recuperação da economia, ganha força a busca por preço entre os brasileiros. Todo mundo está fazendo conta e procurando alternativas mais acessíveis. “Nesse contexto, o varejo de valor se faz mais forte ainda.”

Outra vertente da sucesso do atacarejo são os empreendedores individuais, que se abastecem nesse formato de lojas para tocar um negócio próprio, caso de pizzarias, restaurantes, entre outros. Nas contas de Gouvêa de Souza, os empreendedores representam 50% do negócio do atacarejo.

Apesar de o atacarejo ter atraído novas empresas, esse tipo de loja está concentrado em grandes grupos, porque são pontos de vendas grandes, que necessitam de investimentos elevados. Logo após a compra do Walmart pelo Grupo Big, por exemplo, a empresa anunciou que teria como um dos focos as lojas de atacarejo, com a bandeira Maxxi.

No entanto, é crescente o número de pequenos grupos que concentram esforços e se arriscam nesse setor com pelo menos uma loja. “Quem pode está criando um atacarejo para chamar de seu”, conclui Gouvêa de Souza.

Fonte: Estadão

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